Des Knaben Wunsch – Desejo dos Meninos; ou ainda
Das Kleine Wunder – A pequena maravilha.

Muitos podem ser os significados, mas todos representam inovação ou ainda peculiaridade, foram apenas 11 anos de vida no Brasil, mas quem viveu a época diz “Quando se deu conta já existia quando se menos esperava acabou” ou ainda “Se a Volkswagen não compra a DKW e fecha não haveria VW no Brasil hoje em dia” (este ultimo também vinculado a Dodge no Brasil, mas esse é matéria para outro post).
A história inicia com a Vemag nome que mais tarde viria batizar veiculo nacional da marca, neste momento era apenas o nome da concessionária de veículos da Studebaker no Brasil, encravada no bairro Ipiranga em São Paulo, nome é uma abreviação de Veículos e Maquinas Agrícolas S.A., em 1951 iniciou a fabricação de caminhões Scania Varbis e 1954 tratores Massey-Harrys e Ferguson. Em 1956 o governo JK criou um grupo de incentivo a indústria automobilística brasileira o “GEIA”, e a Vemag foi a primeira a aproveitar esse incentivo, lançando no mesmo ano o DKW-Vemag Universal, primeiro carro nacional pois o Romi-Isetta não se enquadrava por não ter duas portas e quatro lugares.
Suas marcas principais eram portas do tipo suicida e o motor dois tempos. O motor neste ano era de 896cm³ e gerava 34 cv e 7 kgfm de torque, motor igual ao usado no mercado europeu. Em 1958 a DKW do Brasil apresentou sua linha completa de veículos incluindo o Candango pequeno jipe, Sedã DKW-Vemag batizado de Belcar após 1962 e a perua DKW-Vemag chamado de Vemaguet. Já neste ano bem mais nacionalizado, motor específico, fabricado e dedicado ao mercado nacional agora com 980 cm³ gerando 44 cv de potencia e 8 kgfm de torque, com tal motor destacava-se entre a concorrência por sua performance 0-100 km/h em 30 segundos e máxima de 120km/h, superior ao Fusca e Renault Dauphine, e por seu espaço interno capaz de acomodar 6 pessoas com conforto razoável para a época.
Seu trunfo sobre a concorrência era a engenhosidade e simplicidade, seu motor era o único com bloco de ferro fundido e cabeçote em alumínio, havia apenas sete partes moveis no motor não há bomba de óleo pois o óleo era mistura ao combustível e por tal método lubrificava as partes moveis, nem bomba de água a circulação se dava por sifão térmico assim como o indicador de temperatura do painel, não há válvulas ou comando de válvulas, alem da simplicidade havia a agilidade na manutenção era possível fazer a substituição do motor parcial com custo acessível e apenas 3 horas de serviço.

Um método para incentivar o uso pacato do carro é a adoção de uma mola que agia a partir de certo ponto do curso do acelerador, onde pesava o acelerador o que exigia uma força maior para acionar o acelerador até o fim. Outro método era a roda livre ao tirar o pé do acelerador, era como embrear o veículo caindo a rotação até a marcha lenta. Apartir de 1960 contava com sistema de cambio com as quatro marchas sincronizadas e com a primeira marcha com engrenagem de dentes retos, com o ruído característico.
Mais uma inovação adotada pela DKW era o motor dianteiro e tração dianteira o que proporcionava um melhor equilíbrio do carro e eliminação do túnel pois não havia um cardã para transmissão de tração. Em 1964 a DKW lançou o Belcar Saxomat este possuía sistema de embreagem automática, com um micro-interruptor na alavanca de cambio eliminando o pedal da embreagem ainda hoje podemos citar alguns exemplos como o MB classe A e Fiat Palio Citymatic. Neste mesmo ano as portas deixaram de ser do tipo suicida motivo pelo qual foi dado o apelido de “dechavê” para os DKW até então. Também neste ano iniciou a parceria com a Puma com o lançamento do GT Malzoni.
A DKW lançou o Fissore um carro de luxo e o Pracinha para ser o modelo de entrada, mas não foram o suficiente para se firmar no mercado em crise abalados principalmente por renuncias de JK, Janio Quadros e por fim o Golpe Militar, enquanto as multinacionais podiam se apoiar nas suas matrizes a DKW-Vemag ultimo braço ativo da DKW no mundo devia sobreviver por si mesma, assim como na Alemanha onde a VW comprou a Audi única sobrevivente da Autounion, a VW comprou a Vemag no Brasil, e em novembro de 1967 é encerrada a produção da DKW no Brasil.

O balanço final da DKW no Brasil foi:
Total de Veículos: 109.343
47.769 – Vemaguet;
6.750 – Pracinha;
1.173 – Caiçara;
51.162 – Belcar;
2.489 – Fissore;
7.848 – Candango.
Prezados,
ResponderExcluirapós ler este blog(mentira, não li, os posts estão muito grande e tenho muitos prazos pra terminar)fiquei ainda mais intrigada com a região de Capão Raso!
Após tantas histórias contadas pelo Dr. José e esse blog especialmente criado para contar as peculiaridades da província, me comprometo a juntar milhas da TAM para, quem sabe um dia, ter o prazer de conhecer tão inspiradora região. AS lojas de carro, os lotes, o espetinho, as senhoras vizinhas da casa da frente, os carros com cheiro de mofo (ou melhor, as relíquias que vcs colecionam)... Meu Deus, que preciosidade!
Um dia mando um postal informando minha visita.
Att.
Dra. Letícia Dayrell.